
Por ti,
fui esmolar diante dos Templos.
Postei-me
sobre o chão quente onde passei intermináveis dias a cata de moedas
que me eram lançadas por caridade ou por ostentação de bondade. Não
me importava. Precisava daquelas moedas.
Por ti, me
degradei diante dos meus amigos.
Fui
rejeitado e banido como um cão sarnento pelo medo de serem por mim
contaminados.
Mas mesmo
assim em toda minha vida, nunca deixei de te amar um só
momento.
Mas mesmo
assim em toda minha vida, nunca te cobrei por tudo o quanto
passei.
Lembro
quando adoeci e dos teus cuidados dia após dia junto ao meu
leito.
Lembro do
teu esforço desmedido para minha enfermidade
curar.
Lembro de
tua dor quando parti, deixando-te abandona a ta própria
sorte.
Lembro de
como sofrestes, de cada lágrima derramada após minha partida deste
mundo.
Lembro de
toda tua saudade sentida e intermináveis
prantos.
Desde
então,
Por dois
mil anos te procuro em vão.
A cada
nascimento uma esperança de reviver tudo o que foi
deixado.
A cada
nascimento, outro desencontro, outra morte e um atroz sentimento de
perda,
Ao me dar
conta de não ter te encontrado.
Uma
interminável procura e desesperada busca, vida após
vida.
E por dois
mil anos andei de canto em canto percorrendo o mundo a tua
procura.
Nunca te
achava.
E sempre
nesta procura incansável sem nunca noticias tuas vislumbrar, anos
após anos com outras me deitei sem amar. Apenas era a esperança de
que em outros braços pudesse viver minhas lembranças tão longe por
mim deixadas, num passado já quase esquecido.
Agora te
encontro minha querida, minha eterna namorada, mais linda do que
antes.
Ainda na
puberdade e eu em idade tão distante, mas o que importa é que nesta
vida te encontrei nem que seja somente para te olhar mais uma
vez.
.
Olhas para
mim e estende os braços para um afago, qual uma menina que busca o
carinho paternal, sem ver nesta face cansada pelos anos, o quanto
de amor em mim ficou guardado.
Apenas me
agarra e se joga em meus braços deixando-me por alguns segundos
esperançosos do um reconhecimento das tuas
lembranças.
Olhas para
mim mais uma vez, acaricias meu rosto e me dou conta que não me
reconhece, apenas
limita-se a dizer:
“Deixa que as lágrimas escorram, pois sinto
que elas são lembranças de um grande amor vivido no teu
passado”.
Não! Não!
– Gritei dentro de mim cheio de tristeza - Minhas lágrimas
refletem a dor do reencontro tardio.
E sem
entender, continuando sorrindo tu as enxugas com teus lábios as
lagrimas que dos meus olhos rolavam.
Meu Deus!
– reclamei em silencio - Que busca perdida no tempo Senhor
meu Pai!
Olhai pra
mim e veja o que fiz por todos estes anos. Que sentido havia então
em buscar minha vida de antes se só perdi ao viver tantos amores
encontrados e nada ter dado de mim,
Sem ao
menos compensar as acolhidas recebidas de outros
braços?
Só então
compreendi que não adianta queremos trazer de volta o
passado.
Pois cada
vida vivida, é uma lição de vida aprendida. Cada amor vivido é um
amor doado.
Carlos
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